Imagem capa - Hortência - A Rainha do basquete por Scatto Fotografia
PROJETO MAMMA MIA

Hortência - A Rainha do basquete

Hortência de Fátima Marcari, recebeu o nome de uma flor, pois além de nascer no primeiro dia da Primavera, é natural de Potirendaba, cidade que, na língua indígena, significa “Cesta de Flores”.

“Passei a vida buscando a cesta. Uma menina pobre, com nome de flor, nascida no início da Primavera, numa cidade chamada Cesta de Flores. “, conta.

Hortência contrariou todas as probabilidades; caçula de 6 irmãos de uma família humilde; filha de pais lavradores; nasceu em cidade pequena; quase desistiu do esporte por falta de recursos financeiros; nasceu em um país sem a tradição do basquetebol e fez do seu esporte uma profissão.

Saiu da pequena cidade do interior de São Paulo aos 9 anos e iniciou no basquetebol no São Caetano Esporte Clube aos 14. Aos 16, já integrava a Seleção Brasileira.

“Nasci para ser esportista. “, diz categoricamente. A menina que aos 12 anos já era recordista sul-americana em salto em distância, também experimentou outros esportes como, futebol de salão, handball e atletismo. Mas se apaixonou mesmo pelo basquete. Ali começava a ser escrita uma história de sucesso.


Hortência Marcari


Em mais de 20 anos de carreira, a atleta disputou 2 Olimpíadas, 5 Campeonatos Mundiais, 4 Panamericanos, 4 Pré-Olímpicos entre outros. Nessa jornada são 3 medalhas Panamericanas (ouro, prata e bronze), 1 medalha Olímpica (prata) e 1 medalha Mundial (Ouro).

Mas a mulher, que hoje é considerada uma das maiores atletas femininas do seu esporte, considera que sua grande vitória foi ser mãe: “Minha melhor cesta foi a maternidade”, brinca.

Mãe de João (21) e Antônio (20), a ex-jogadora de basquete sempre lutou para conciliar estes dois papéis, no quais ela é craque. Mas não foi fácil.

Após anunciar sua aposentadoria precoce, em 1994, sofreu grande apelo para voltar às quadras e competir as Olímpiadas. Com um bebê recém-nascido, Hortência teve 3 meses para se preparar e recuperar a forma. Conclusão; embarcou com bola, muita garra e um bebê de 5 meses para Atlanta.

Voltou com tudo isso, uma medalha de prata e a certeza de que, para ser uma boa mãe, não é preciso abandonar seus sonhos e conquistas. “ Medo todo mundo tem, mas eu nunca amarelei. “, diz ela.

Hortência, sempre se mostrou uma mulher à frente se seu tempo. Dona de personalidade forte, se define como uma mulher prática, competitiva, guerreira e, que nunca aceitou um “não” como resposta. Características que desenharam sua trajetória brilhante.

Sua autenticidade e espontaneidade, sempre foram marcas registradas da atleta, prova disso foi seu ensaio na revista Playboy, em 1988. Foi a primeira atleta a posar nua, e garante que foi mais um desafio pessoal: “Eu quis desmentir todas as pessoas que diziam que atletas não eram femininas. “

Foi assim, quebrando paradigmas e com muito esforço que Hortência conquistou todo seu reconhecimento.

Não é à toa que recebeu o título de Rainha do Basquete, integrou o seleto grupo no Hall da Fama (2005) e, é a maior pontuadora da história da seleção brasileira com 3160 pontos, marcados em 127 partidas oficiais.

Hoje, Hortência não joga mais profissionalmente, mas nunca se afastou de esporte: é comentarista de basquete na Rede Globo.

Fã de futebol e Corinthiana roxa, ela gosta, assiste e entende desse esporte, predominantemente, masculino.

Em perfeita forma física,  o esporte sempre fez parte de sua vida, não apenas por estética, mas por amor. Aos 58 anos, treinando duas horas por dia, 6 vezes por semana, ela prova que é uma Mamma Mia!